Do vício ao recomeço: a história de Gustavo, o menino do café que conquistou Lages

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Todos os dias, ainda de madrugada, Gustavo Pereira, de 24 anos, natural de Lages, sai de casa com uma missão simples: levar café para quem está começando o dia. De segunda a sexta-feira, a partir das 6h, ele pode ser encontrado no semáforo da Duque, no sentido MC e Fórum, oferecendo café e, principalmente, uma mensagem de esperança.
A ideia surgiu da vontade de unir o útil ao agradável. Gustavo percebeu que muitas pessoas acordam cedo, têm pouco tempo e já procuram um café para começar a rotina. Foi então que decidiu levar a bebida até elas. “Para muita gente, o dia só começa depois de um bom cafézinho”, resume.
Mas por trás do copo de café existe uma história muito maior...
Gustavo passou cinco anos enfrentando a ludopatia, o vício em jogos. Segundo ele, chegou a um momento em que sentiu que havia chegado ao fundo do poço e percebeu que precisava tomar uma decisão: continuar perdendo ou começar a lutar para recuperar a própria vida.
Foi nesse momento que, segundo ele, uma mudança aconteceu. Gustavo se reaproximou de Deus e encontrou nas pessoas que ama o apoio necessário para enfrentar aquele período. O primeiro passo foi reconhecer o problema e admitir para si mesmo que precisava mudar.
A partir daí, começou um processo de reconstrução.
Hoje, Gustavo afirma que o café representa muito mais do que uma fonte de renda. Ele possui outros trabalhos durante o dia, mas é no semáforo que encontra algo que considera ainda mais valioso: o contato com as pessoas.
Entre um café e outro, surgem conversas, sorrisos, palavras de incentivo e histórias. E foi justamente nesse contato que Gustavo percebeu que poderia transformar sua própria experiência em uma mensagem para outras pessoas que também enfrentam dificuldades.
“Não é só sobre café ou dinheiro. É sobre pessoas, sobre um simples sorriso, uma palavra ou um gesto que pode mudar o dia de alguém”, conta.
A história ganhou ainda mais repercussão depois que Gustavo começou a publicar vídeos nas redes sociais. Em pouco tempo, o que parecia ser apenas mais uma rotina de trabalho se transformou em uma história compartilhada por milhares de pessoas.
Ele conta que, em determinado momento, foi dormir com cerca de 300 seguidores
e acordou com mais de 4 mil. Um dos vídeos ultrapassou 500 mil visualizações.
A repercussão, porém, trouxe também uma responsabilidade. Gustavo faz questão de explicar que não é profissional da área da saúde e que não pretende substituir nenhum tipo de tratamento. O objetivo, segundo ele, é compartilhar a própria experiência e mostrar que é possível buscar um recomeço.
“Se a minha história puder ajudar pelo menos uma pessoa, já vai ter valido a pena”, afirma.
Para quem enfrenta o vício em jogos, Gustavo deixa uma mensagem baseada naquilo que viveu: reconhecer o problema, ser honesto consigo mesmo, não esconder a situação das pessoas que ama e procurar apoio.
Ele também acredita que cada pessoa pode encontrar sua própria fonte de força, seja na fé, na família ou em uma rede de apoio. Entre as alternativas que menciona está o bloqueio voluntário do CPF para impedir o acesso a plataformas de apostas, por meio dos mecanismos disponibilizados pelo poder público.
O café, curiosamente, entrou nessa história há pouco tempo. Quando gravou o vídeo que viralizou, Gustavo estava apenas no sétimo dia vendendo café. Mesmo antes de conhecerem sua história, muitas pessoas que passavam pelo semáforo já demonstravam apoio.
E foi daí que nasceu outro detalhe que chama atenção.
No copo, Gustavo coloca um QR Code e criou um sistema baseado na confiança. A pessoa pode levar o café e realizar o pagamento posteriormente. O lema resume a proposta: “Você confia na qualidade e eu confio em você.”
Mais do que vender café, Gustavo parece ter encontrado uma maneira de transformar um momento difícil da vida em uma oportunidade para recomeçar.
Agora, diante de toda a repercussão, ele ainda não sabe exatamente como será a relação com as pessoas que passarão a encontrá-lo no semáforo e conhecerão sua história. Mas uma coisa parece estar clara: o menino do café não quer ser lembrado apenas pela bebida que entrega.
Quer ser lembrado pela mensagem que carrega.
A de que, mesmo depois de cair, ainda é possível levantar. Que reconhecer os próprios erros não significa fracassar. E que, enquanto houver disposição para mudar, sempre pode existir um novo começo.
De segunda a sexta-feira, a partir das 6h, Gustavo segue no semáforo da Duque, no sentido MC e Fórum. Com café nas mãos e uma história de recomeço para contar.
Para quem quiser acompanhar Gustavo nas redes sociais, procure: @cafe.do.guga no Instagram.
