Facebook
YouTube
Instagram
WhatsApp

O que esperar do El Niño em 2026

17/08/2026 16:29

' ' : ' '

Depois de meses de monitoramento, os principais centros meteorológicos passaram a convergir para um mesmo cenário: o El Niño deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026 e atingir seu pico durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.

A tendência é acompanhada diariamente pela equipe da Epagri/Ciram, responsável pelo monitoramento meteorológico em Santa Catarina.

Embora os efeitos variem de uma região para outra, os especialistas alertam que os próximos meses exigirão atenção redobrada, principalmente em relação às chuvas intensas e aos temporais.

Segundo a meteorologista Gilsânia de Souza Cruz, os dados mais recentes apontam para um fenômeno de forte intensidade, com possibilidade de alcançar a categoria de muito forte nos próximos meses.

“Os modelos indicam que o fenômeno será de intensidade forte nos próximos meses, atingindo intensidade muito forte durante a primavera e o verão, podendo persistir até o início de 2027.”

Os principais impactos sazonais esperados para Santa Catarina.

Acompanhe a evolução projetada da intensidade do fenômeno
clicando nos alertas da barra indicativa.

20262027

Ícone de temperatura alta
Ícone de tempestade
Ícone de tempestade

JunJulAgoSetOutNovDezJanFevMarAbrMaiJun❄️ INVERNO🌸 PRIMAVERA☀️ VERÃO🍂 OUTONO

Arte e interatividade: Milene Conci / Agência ALESC

Historicamente, é justamente nesse período que Santa Catarina registra alguns dos maiores  acumulados de chuva do ano.

A primavera já é naturalmente marcada pela passagem frequente de frentes frias e pela formação de tempestades.

Com a atuação do El Niño, essas condições tendem a se intensificar, favorecendo episódios de precipitação persistente e eventos extremos.

“O maior impacto costuma ocorrer na primavera do ano em que o fenômeno se forma. Em Santa Catarina, outubro e novembro normalmente concentram os maiores volumes e a maior persistência das chuvas”, explica Gilsânia.

Além do aumento das precipitações, outro efeito esperado é a redução da frequência e da intensidade das massas de ar frio durante o inverno e o início da primavera.

“O comportamento das temperaturas também muda. Em geral, observamos menos frio durante o inverno e o início da primavera, enquanto os sistemas meteorológicos instáveis tornam-se mais frequentes.”

Ainda assim, a meteorologista faz uma ressalva importante: um El Niño forte não significa que todos os municípios enfrentarão os mesmos impactos.

“Outras oscilações atmosféricas também influenciam o comportamento do tempo. Nem sempre todo o Sul do Brasil será atingido da mesma forma e no mesmo momento.””

Como a ciência acompanha um fenômeno que dura meses

Ao contrário de uma frente fria ou de um ciclone, que se desenvolvem em poucos dias, o El Niño é um fenômeno lento. Sua formação acontece gradualmente e sua evolução pode ser acompanhada durante vários meses.

Para isso, meteorologistas monitoram continuamente uma enorme quantidade de informações produzidas por instituições brasileiras e internacionais.

Na Epagri/Ciram, o trabalho combina observações realizadas em Santa Catarina com dados provenientes dos principais centros meteorológicos do mundo.

Entre os indicadores analisados estão a temperatura da superfície do mar, o Índice ONI (Oceanic Niño Index), campos atmosféricos, imagens de satélite e modelos numéricos de previsão climática.

“Monitoramos continuamente a temperatura da superfície do mar e os indicadores atmosféricos. À medida que novas informações são atualizadas, elaboramos notas meteorológicas, previsões sazonais e, quando necessário, avisos meteorológicos para situações de curto prazo”, explica Gilsânia.

Gilsânia de Souza Cruz, Meteorologista da equipe da equipe Epagri/Ciram.
Fonte: Acervo pessoal.
Gilsânia de Souza Cruz, Meteorologista da equipe da equipe Epagri/Ciram.
Fonte: Acervo pessoal.

As previsões também utilizam modelos computacionais desenvolvidos por instituições como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e centros de pesquisa do Canadá e da Austrália.

Esses sistemas simulam o comportamento da atmosfera e dos oceanos utilizando milhões de cálculos por segundo.

Além dos modelos individuais, os meteorologistas também comparam e combinam diferentes projeções, incluindo modelos estatísticos e ferramentas baseadas em inteligência artificial, capazes de identificar padrões semelhantes aos registrados em eventos anteriores.

Essa estratégia, conhecida como ensemble, reúne os resultados de diversas simulações para construir previsões mais confiáveis e reduzir as incertezas inerentes ao comportamento da atmosfera.

“O objetivo é analisar dezenas de modelos diferentes para construir uma previsão probabilística. Nenhum modelo, isoladamente, consegue representar toda a complexidade da atmosfera.”


mais sobre:

Deixe uma resposta

publicidade