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Laudo aponta risco geotécnico e recomenda manutenção da interdição do Hospital Municipal de Correia Pinto

20/07/2026 14:35

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Um laudo técnico de avaliação geotécnica elaborado pela BSE Engenharia Geotécnica e Ambiental concluiu que o Hospital Municipal de Correia Pinto está situado em uma área de instabilidade de encosta e recomendou a manutenção da interdição total da unidade ou, de forma excepcional, uma utilização parcial sob rígidas condições de segurança. O documento foi emitido em 9 de julho de 2026 após inspeção técnica realizada no local no dia 4 de julho.

Segundo o estudo, os problemas na encosta têm origem em uma sequência de intervenções realizadas ao longo dos últimos anos, incluindo abertura de estrada, remoção de vegetação, escavações para exploração mineral, avanço da pedreira e alterações na geometria do terreno. Em 2022, a Defesa Civil de Santa Catarina já havia classificado a área como de risco muito alto (R4) para novos eventos destrutivos.
Durante a inspeção, os engenheiros identificaram diversos danos na estrutura do hospital provocados pelos deslocamentos do terreno. Entre as patologias observadas estão trincas e fissuras em paredes, deformações no piso, infiltrações, afastamento de rampas e calçadas em relação ao prédio e deslocamentos estruturais. O laudo ressalta que, embora a edificação ainda apresentasse condições de uso no momento da vistoria, a continuidade dos movimentos da encosta tende a agravar os danos e poderá comprometer totalmente o funcionamento da unidade.

Na encosta, a equipe técnica verificou diversos sinais de instabilidade, como trincas, degraus no terreno, deformações e cicatrizes de escorregamentos. As análises indicam que o movimento ativo do solo se estende aproximadamente entre as cotas de 880 e 850 metros, com possibilidade de existirem superfícies de ruptura ainda mais profundas. O relatório alerta que episódios de chuvas intensas podem provocar novos deslocamentos de terra, embora a expectativa seja de movimentos lentos e progressivos.
Na avaliação qualitativa apresentada, os técnicos consideram que a combinação entre a elevada suscetibilidade da encosta e a importância da estrutura hospitalar representa um cenário de risco significativo, exigindo medidas preventivas e monitoramento contínuo.

Entre as principais recomendações está a manutenção da interdição total do hospital. Caso a administração municipal opte por utilizar parcialmente a estrutura, o laudo determina que o atendimento seja restrito a casos de baixa complexidade, sem permanência de pacientes ou funcionários durante a noite, com interrupção das atividades em períodos de chuvas intensas e implantação imediata de monitoramento geotécnico e estrutural. Também recomenda a interrupção dos sistemas de água, oxigênio e gás na área interditada devido ao risco de rompimento das tubulações.

O documento também orienta o início imediato do monitoramento topográfico das áreas vizinhas, especialmente das residências localizadas ao norte da encosta. Neste momento, os engenheiros não recomendam a interdição dessas moradias, mas destacam que a situação deverá ser reavaliada continuamente conforme os dados obtidos pelo monitoramento. Além disso, o laudo recomenda impedir novas construções na área afetada até que seja implantada uma solução definitiva de estabilização.

Por fim, os especialistas sugerem a revisão do projeto de estabilização elaborado anteriormente, com novos estudos geomecânicos que considerem superfícies de ruptura mais profundas. Somente após essa reavaliação, segundo o relatório, será possível definir uma solução técnica segura e economicamente viável para estabilizar a encosta e permitir futuras decisões sobre a ocupação da área.



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