A Indústria da Multa

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Recentemente, o governo do estado de Santa Catarina anunciou que estaria cancelando um processo licitatório que supriria as rodovias estaduais com radares controladores de velocidade. A notícia foi postada nas redes sociais, onde tive a liberdade de comentar minha opinião contrária à falta desses aparelhos nas estradas. Então fui bombardeado com comentários contrários, que em suma citavam que os radares apenas serviam para alimentar a famigerada “indústria da Multa”. Falavam que a educação deveria ser priorizada ante a multa. Vamos lá. Sou um militante fiel da educação, creio que a educação para o trânsito deva ser cada vez mais comum e atuante em toda a sociedade, mas também acredito que deve-se ter um equilíbrio entre ela e a fiscalização. Durante o 1º Fórum Volvo-OHL de segurança no trânsito, que ocorreu em Brasília no ano de 2011, estava entre os palestrantes o psicólogo Paulo Gaudêncio, que disse o seguinte: precisamos respeitar o coeficiente intelectual das pessoas, informando-as o porquê do equipamento, por exemplo. No entanto, precisamos estar atentos ao coeficiente emocional, aquele que nos empolga e nos faz seguir nossas regras ao invés do coletivo, e fazemos isso através da punição ao infringimento das normas. Ouvindo isto, passei a pensar e a concordar com ele. Se somente a consciência e a educação individual dessem conta, as décadas do CTB já teriam mudado a história do nosso trânsito. Todavia, ainda os sinistros são a maior causa de mortes, por causas externas, de várias faixas etárias de nossa população. E a velocidade figura em uma causa preocupante, se ela não é a principal, contribui significativamente para o agravamento das lesões. Logo, o controle da velocidade é fundamental para se garantir uma segurança viária eficiente. Além disto, a falácia da indústria da multa não se sustenta por vários outros motivos. No mesmo evento, foram citados dados da CET de São Paulo que apenas 10% dos autuados são reincidentes, sendo que 3/4 dos condutores não são notificados, ou seja, esta minoria faz tanto barulho que mesmo quem anda correto e não é multado acaba falando que existe a tal indústria. Outro dado interessante é do DER-MG, que informa que apenas 0,08% dos veículos que passam pelos radares são notificados. Vale a pena comentar que o valor das arrecadações das notificações só pode ser utilizado no sistema de trânsito, ou seja, para educação e estruturação, não sendo possível usar estes recursos de outra forma. Então, caros leitores, tenho a lhes informar que a Indústria da Multa é inexistente. Peço a vocês que não se deixem levar por isso, pensem na segurança, na sua e na dos demais.
