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Doação de órgãos: um gesto que pode salvar vidas

24/09/2026 10:19

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A doação de órgãos pode representar uma nova chance para quem aguarda por um transplante. Apesar disso, a falta de informação e alguns mitos ainda dificultam a decisão das famílias. Para falar sobre o tema, o Jornal do Momento reuniu Ivana, integrante do grupo Somos Fênix; Rúbia, mãe de uma criança transplantada; e a médica Gabriela, que atua na área de captação e transplantes.
Com 15 anos de atuação, o grupo Somos Fênix desenvolve ações de conscientização e apoio a pacientes e familiares. Para dezembro de 2026, está previsto o tradicional Natal da Esperança, iniciativa que busca levar apoio a pessoas que enfrentam situações graves de saúde e aguardam por um transplante.
A história de quem recebeu um coração
A experiência de Rúbia mostra o impacto que a doação pode causar. Sua filha nasceu com um problema cardíaco e, desde os seis meses, fazia acompanhamento médico. Com o passar dos anos, desenvolveu miocardiopatia dilatada, fazendo com que o coração aumentasse e perdesse a capacidade de funcionar adequadamente.
Em 2024, a menina passou três meses internada em uma UTI. Em 2025, com o agravamento do quadro, foi transferida para Curitiba e entrou na lista de transplantes.
A espera durou apenas nove dias. Aos dez anos, ela recebeu um novo coração.
Um ano após o transplante, a mudança na rotina é significativa. A menina voltou a realizar atividades que antes eram difíceis ou impossíveis.
“Agora ela pode ser criança. Criança tem que brincar, correr, andar de bicicleta.”
Para Rúbia, caminhar de casa até a escola tornou-se uma conquista diária. A experiência também transformou sua visão sobre a doação de órgãos.
Antes, ela admite que pouco conhecia sobre o assunto. Hoje, é doadora de sangue, manifesta sua intenção de ser doadora de órgãos e conversa com a família sobre sua decisão.
Família precisa conhecer a vontade do doador
A médica Gabriela destaca que a conversa com os familiares é fundamental. No Brasil, a autorização da família é necessária para que a doação de órgãos seja realizada. Por isso, deixar clara a vontade de ser doador é uma atitude importante.
Segundo ela, muitos familiares chegam ao hospital carregando dúvidas e informações incorretas. Entre os mitos estão o medo de que um paciente seja levado à UTI para que seus órgãos sejam retirados ou de que a doação provoque alterações que impeçam um velório adequado.
“UTI é uma unidade de tratamento intensivo. O paciente grave vai estar lá para ser tratado”, explica Gabriela.
A médica ressalta que o diagnóstico de morte encefálica segue protocolos específicos e que a doação somente é discutida dentro dos procedimentos previstos.
Para ela, a informação precisa estar presente durante todo o ano, e não somente em períodos de campanhas de conscientização.
Uma decisão em meio à dor
A captação de órgãos ocorre em um momento de extrema fragilidade para as famílias: a perda de um ente querido. Para os profissionais de saúde, o desafio é oferecer informação e acolhimento para que a família possa tomar uma decisão consciente. Gabriela recorda o caso de uma jovem de 19 anos que morreu após um grave evento neurológico. Mesmo diante da tragédia, a família autorizou a doação. O pai da jovem era transplantado e conhecia a importância daquele gesto.
A doação permitiu a captação de diversos órgãos.
“A doação de órgãos é um dever do profissional da saúde falar, e é um direito da família saber.”
Para a médica, mesmo quando a equipe não consegue salvar a vida daquele paciente, existe a possibilidade de que a doação ajude outras pessoas.

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