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Educação, formação e oportunidades: caminhos para o desenvolvimento

03/09/2026 11:16

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O ensino superior ocupa um papel fundamental no desenvolvimento das pessoas, das organizações e da sociedade. Mais do que preparar profissionais para o exercício de determinadas profissões, a educação superior amplia repertórios, desenvolve pensamento crítico, capacidade de análise, tomada de decisão, autonomia e competências para enfrentar problemas cada vez mais complexos.
Em um mundo marcado por transformações tecnológicas, mudanças nas relações de trabalho e novos desafios sociais e econômicos, aprender deixou de ser uma etapa da vida para se tornar uma necessidade permanente. Uma formação de qualidade não se mede apenas pelo conhecimento acumulado, mas pela capacidade de transformar conhecimento em ação, resolver problemas, trabalhar colaborativamente, comunicar-se, inovar e continuar aprendendo ao longo da vida.
Qualidade e excelência na formação profissional significam, portanto, muito mais do que oferecer um diploma. Significam garantir professores preparados, currículos atualizados, integração entre teoria e prática, desenvolvimento efetivo de competências, experiências de aprendizagem significativas, avaliação coerente e acompanhamento da trajetória do estudante. Excelência é formar alguém capaz de atuar profissionalmente com competência, ética, responsabilidade e capacidade de adaptação diante das transformações do mundo do trabalho.
Todavia, é importante reconhecer que o ensino superior não é o único caminho para a formação profissional. Nem todas as pessoas precisam ou desejam cursar uma graduação, e isso não diminui suas possibilidades de construir uma trajetória profissional bem-sucedida. A educação profissional e tecnológica, especialmente por meio dos cursos técnicos, oferece formação prática, objetiva e conectada às necessidades de diferentes setores da economia.
Técnicos qualificados são indispensáveis para o funcionamento e o desenvolvimento das empresas, dos serviços e da sociedade. Em muitos setores, existe uma demanda concreta por profissionais preparados para ocupar postos de trabalho que exigem conhecimentos específicos e capacidade de execução. Valorizar diferentes trajetórias formativas é, portanto, também promover equidade e ampliar oportunidades. Entretanto, formação, por si só, não resolve todos os desafios do desenvolvimento local. Uma pessoa pode estar qualificada e, ainda assim, não encontrar na sua cidade as oportunidades necessárias para desenvolver seu potencial. É nesse ponto que educação e desenvolvimento econômico precisam se encontrar.
A cidade também precisa fazer a sua parte. Existe um crescimento orgânico dos municípios, mas ele precisa ser acompanhado de planejamento, visão estratégica e capacidade de seus gestores para atrair empresas, investimentos, novos negócios e oportunidades profissionais. Desenvolvimento urbano não pode ser pensado apenas como expansão física. É preciso pensar nas pessoas que vivem na cidade, nas suas necessidades, nos seus projetos de vida e nas condições que terão para construir seu futuro.
Uma cidade que deseja crescer precisa criar um ambiente favorável ao trabalho, ao empreendedorismo, à inovação e à geração de renda. Precisa aproximar instituições de ensino e setor produtivo, compreender as demandas do mercado, estimular a formação profissional e criar condições para que novas atividades econômicas possam surgir e prosperar.
Também é necessário olhar para a permanência das pessoas. Reter talentos não significa simplesmente impedir que alguém vá embora. Significa criar razões concretas para permanecer: emprego, renda, educação, empreendedorismo, cultura, serviços, qualidade de vida e perspectivas de futuro.
Homens e mulheres querem crescer. Querem conquistar autonomia, melhorar suas condições de vida, realizar projetos, construir patrimônio e oferecer melhores possibilidades às suas famílias. Querem, como tantas vezes ouvimos desde cedo, “ser alguém na vida”. Essa expressão simples carrega uma profunda aspiração humana: a possibilidade de construir uma trajetória com dignidade, reconhecimento, autonomia e pertencimento. Por isso, a mobilidade social e econômica precisa estar permanentemente contemplada nas decisões dos gestores públicos, empresariais, educacionais e sociais. Não basta oferecer assistência quando é necessária. É preciso também criar caminhos para que as pessoas desenvolvam capacidades, conquistem autonomia e possam participar ativamente da construção da economia e da sociedade.
Desenvolver uma cidade exige, portanto, uma visão integrada. É preciso formar pessoas, criar oportunidades e construir condições para que essas pessoas possam realizar seu potencial. Ensino superior, educação técnica, empresas, poder público e sociedade precisam atuar em sintonia.
Quando formação e oportunidade caminham juntas, o desenvolvimento deixa de ser apenas crescimento econômico e passa a significar transformação da vida das pessoas. Afinal, uma cidade não se desenvolve apenas porque possui população, empresas ou empregos. Ela se desenvolve quando consegue transformar pessoas em protagonistas de sua própria trajetória econômica e social.
E talvez esse seja um dos maiores desafios do desenvolvimento contemporâneo: não apenas formar pessoas para o mercado de trabalho, mas construir cidades e territórios onde essas pessoas possam trabalhar, empreender, crescer, permanecer e transformar o lugar onde vivem.
Educação abre caminhos. Formação amplia possibilidades. Oportunidades permitem que essas possibilidades se realizem. É quando essas três dimensões se encontram que o desenvolvimento deixa de ser promessa e começa, de fato, a mudar a vida das pessoas. E a cidade só ganha!
Esse compromisso com o desenvolvimento precisa ser permanente, construído a partir de escolhas responsáveis e de uma visão de futuro. Investir em pessoas é investir na capacidade de uma cidade enfrentar desafios, aproveitar oportunidades e criar novas possibilidades. Quanto maior a conexão entre conhecimento, trabalho e desenvolvimento, maiores são as condições para construir uma sociedade mais preparada e inclusiva. O futuro será resultado das oportunidades que forem criadas hoje e da capacidade de transformar essas oportunidades em caminhos concretos. Por isso, educação, formação e desenvolvimento precisam continuar no centro das decisões que projetam o futuro das cidades.

Arceloni Neusa Volpato, Doutora em Linguística. Diretora do ABRVedu Instituto de Educação e Inovação. Vice-diretora e Diretora Acadêmica da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Santa Catariana. Contato com a colunista: arceloni@gmail.com

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