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Setembro Amarelo reforça importância da atenção aos sinais de sofrimento emocional

03/09/2026 11:43

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O mês de setembro marca a campanha Setembro Amarelo, período dedicado à valorização da vida, à conscientização sobre saúde mental. A iniciativa busca ampliar o diálogo sobre o tema e incentivar que pessoas em sofrimento psicológico sejam acolhidas e procurem ajuda.
Segundo o médico pós-graduado em Psiquiatria, doutor Ederson Bettoni , os sinais de que uma pessoa pode estar enfrentando dificuldades emocionais nem sempre são evidentes. Mudanças aparentemente pequenas no comportamento podem indicar que algo não está bem.
Entre os sinais que merecem atenção estão alterações no sono, como insônia ou sono excessivo, irritabilidade, isolamento social, tristeza, choro frequente, retraimento, instabilidade emocional e perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer. O especialista ressalta que essas mudanças geralmente acontecem de forma gradual e podem passar despercebidas. Por isso, familiares, amigos e colegas precisam estar atentos ao comportamento das pessoas próximas. “Às vezes, aquele amigo sorridente, participante, nem sempre aquele sorriso é o que exterioriza o que ele tem dentro da alma”, alerta.
Diante de uma mudança de comportamento, a orientação é se aproximar e conversar. Perguntas simples e diretas, como “você está precisando de ajuda?” ou “quer conversar?”, podem abrir espaço para que a pessoa fale sobre o que está enfrentando. Para o médico, o diálogo precisa acontecer sem julgamentos. Muitas pessoas deixam de procurar ajuda por medo, insegurança ou por acreditarem que demonstrar sofrimento é sinal de fraqueza.
Buscar ajuda profissional é fundamental
Além do apoio de familiares e amigos, o acompanhamento de profissionais de saúde é fundamental para quem está enfrentando sofrimento emocional. A orientação é procurar atendimento e não esperar que a situação se agrave.
O atendimento pode começar com um médico na unidade de saúde ou na policlínica, além de profissionais especializados, como psicólogos e psiquiatras. Esses profissionais estão preparados para acolher, avaliar cada situação e orientar sobre os próximos passos.
Segundo Ederson Bettoni, reconhecer que precisa de ajuda não deve ser visto como sinal de fraqueza. Pelo contrário, falar sobre os próprios sentimentos e buscar acompanhamento profissional são atitudes importantes de cuidado com a saúde e com a própria vida.

O impacto do estigma
Outro ponto destacado pelo especialista é o estigma que ainda existe em torno da saúde mental. Segundo ele, ideias equivocadas, como associar a depressão à falta de fé, falta de gratidão ou falta do que fazer, podem dificultar a busca por tratamento.
“Depressão não escolhe cor, não escolhe etnia, não escolhe religião, não escolhe classe social”, afirma.
O Setembro Amarelo, nesse sentido, também tem o papel de combater preconceitos e mostrar que problemas de saúde mental precisam ser tratados com a mesma seriedade que outras questões relacionadas à saúde.

Redes sociais também exigem atenção
O uso das redes sociais é outro fator que pode influenciar a saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes. O médico explica que as plataformas podem ser úteis quando utilizadas de maneira equilibrada, mas o excesso pode trazer consequências.
A comparação constante com outras pessoas e com estilos de vida apresentados nas redes pode gerar frustração e afetar a autoestima. Por isso, a recomendação é utilizar a tecnologia como ferramenta, e não permitir que ela se transforme em uma dependência.
Além das relações familiares e sociais, o especialista também destaca a importância de fatores que contribuam para o bem-estar, como a convivência social, a espiritualidade ou religião para quem a pratica, objetivos pessoais e a construção de motivos para seguir em frente.

Ninguém precisa estar bem todos os dias
Durante a entrevista, Dr. Ederson reforçou ainda que é natural enfrentar dias difíceis. Segundo ele, reconhecer os próprios sentimentos e falar sobre eles pode ser um primeiro passo para buscar ajuda. “Ninguém é obrigado a estar bem todos os dias”, destaca.
A mensagem do Setembro Amarelo, portanto, vai além da campanha realizada durante o mês. A proposta é estimular uma cultura permanente de acolhimento, escuta e atenção à saúde mental. Em momentos de sofrimento, a orientação é não permanecer sozinho. Conversar com alguém de confiança, buscar acolhimento e procurar profissionais de saúde, como médicos da unidade de saúde ou da policlínica, psicólogos e psiquiatras, são atitudes fundamentais.
O Setembro Amarelo reforça justamente essa mensagem: falar sobre o que se sente não é sinal de fraqueza. Pedir ajuda é um ato de coragem e também uma forma de cuidar da vida.

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