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Segundo traje da realeza revela detalhes e antecipa o vestido oficial da Festa Nacional do Pinhão

08/04/2026 17:53

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Apresentado na abertura da colheita do pinhão, o traje surge como um manifesto sobre tempo, ancestralidade e o valor do trabalho manual — em um contraste direto com a lógica acelerada da moda atual.
A criação parte de uma releitura do chiripá, peça tradicional da cultura gaúcha que antecede a bombacha. A ideia inicial foi proposta pelo secretário de comunicaçãode Lages, Diogo Schimtz, e ganhou forma pelas mãos da estilista Ana Lopes, que transformou a referência histórica em uma composição feminina, sofisticada e contemporânea.
“Em um primeiro momento, eu recusei. Parecia uma ideia muito distante do que se espera de um traje de realeza. Mas, quando parei para pensar, entendi que ali existia uma oportunidade: ressignificar uma peça histórica e mostrar a força que ela carrega”, afirma a estilista.

Do campo à Festa Nacional do Pinhão
Mais do que revisitar o passado, o traje reposiciona o chiripá dentro de uma nova narrativa.
“A proposta é enaltecer homens e mulheres do campo que usavam essa peça nas lidas diárias, como proteção e ferramenta de trabalho e que hoje se faz presente em danças de CTG Gaúcho”
A base do traje passeio teve como base o Tweedy feito em lã com fios de lurex e traduz esse equilíbrio entre tradição e sofisticação. O brilho sutil não anula a origem da peça — ele eleva.
A composição é finalizada com um casaco inspirado no jaleco gaúcho peça usada com o chiripá e botas de cano alto em tom de pinhão, patrocinadas pela Arezzo e escolhidas pelas a estilista, reforça a estética imponente sem perder a identidade cultural.

O tempo como matéria-prima
Se existe um protagonista neste traje, ele não é visível à primeira vista: o tempo.
Cada detalhe foi construído manualmente:
– flores feitas a partir da falha do pinhão, material geralmente descartado
– rendas tingidas à mão em degradê, com variações entre marrom e azul
– franjas de pérolas aplicadas uma a uma
– recortes e costuras realizados manualmente
Nada aqui é rápido. E essa é justamente a intenção.
O processo exigiu testes, ajustes e repetição — tanto na modelagem quanto no desenvolvimento das técnicas.
Mais do que estética, a escolha pelo feito à mão funciona como posicionamento.

Herança que se costura
Existe também um valor afetivo que atravessa o traje.
A técnica das flores com falha de pinhão já havia sido utilizada em 2020, em criações assinadas por dona Bere, mãe da estilista. O retorno desse elemento não é coincidência — é continuidade. A equipe envolvida — dona Bere, dona Dilma, Rosângela, Matheus e Kiara — é parte essencial da construção. “Quando eu trago uma ideia, ninguém diz que não dá. Elas encontram um caminho. É assim que algo que começa no papel vira realidade.”

Símbolos que sustentam a narrativa
Os acessórios reforçam o discurso.
Os cabelos e maquiagens também fazem parte da construção de imagem da nossa realeza.
“A Leia Salão é uma parceira incrível e assina a beleza da nossa realeza há alguns anos. Os maquiadores Kaio e Breno e a Cabeleleira Tai e Paola estão sempre dispostos a criar uma beleza diferente e digna de uma realeza”
A gralha-azul, símbolo da continuidade da vida e da cultura, orienta a paleta desde o primeiro traje, apresentado um dia após o concurso.
Já as coroas incorporam elementos da pinha, pinhão e da araucária, sendo produzidas manualmente no próprio dia do concurso pela própria estilista que acredita que os Lageanos sempre aguardam novidades quando se fala em realeza.
Mais do que ornamento, elas comunicam função: representar e valorizar a origem da festa.
As joias também seguem essa lógica. A curadoria é feita pela estilista em parceria com Jô Martello.
“A Jô topa tudo. E sempre entrega peças que sustentam o que o traje precisa dizer.”

Quando vestir é representar
A reação do público já aponta o impacto da criação. Durante a apresentação dos croquis, a prefeita Carmen Zanotto demonstrou encantamento imediato.
Para Ana, esse é o termômetro mais importante. “Eu não quero só que a peça seja bonita. Eu quero que as pessoas se reconheçam nela.” Não basta usar — tem que sustentar
A construção do traje não acontece de forma isolada. “As meninas participam, opinam, se enxergam. Porque não adianta criar algo incrível se quem veste não sustenta.”
Maria Júlia, Maria Luisa e Emilie não carregam apenas o figurino — elas carregam o significado de uma festa que atravessa gerações.

Um prenúncio do que vem
O segundo traje é parte de um processo maior.
Ele antecipa o que será apresentado no vestido oficial — uma peça que promete aprofundar ainda mais o trabalho manual e a construção simbólica. Tudo indica que o caminho será mantido: produção integralmente feita à mão, desde o tecido até os adornos, com foco na valorização da cultura local e da gralha-azul. “A expectativa é alta. Mas eu acredito que será um dos vestidos mais fortes que essa festa já teve.”
Em um cenário onde tudo é imediato, a escolha foi clara: ir na direção oposta.
Porque, aqui, a realeza não é produzida em escala — ela é construída.
Ponto a ponto.

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