IA não substitui educação, ela potencializa

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A Inteligência Artificial (IA) tem se consolidado como uma das tecnologias mais transformadoras no campo da educação, oferecendo novas possibilidades de ensino, aprendizagem e desenvolvimento de competências tanto para adolescentes quanto para adultos. Ao contrário da visão de que a IA substitui o professor ou o aprendiz, ela pode ser encarada como uma ferramenta complementar, que amplia as capacidades humanas quando usada de forma ética e com clara definição de autoria e responsabilidade. Uma das vantagens mais destacadas da IA aplicada à educação é a personalização do aprendizado. Sistemas baseados em IA são capazes de adaptar conteúdos ao ritmo, estilo e lacunas de cada estudante, promovendo significativas melhorias na compreensão e retenção de conhecimentos. Revisões sistemáticas apontam que a utilização de ferramentas adaptativas, assistentes educacionais inteligentes e feedback em tempo real contribuem para um aprendizado mais eficaz e motivador, impactando positivamente os resultados educacionais em diferentes níveis de ensino. Esse diferencial é especialmente relevante para adolescentes, cuja motivação e engajamento podem variar amplamente. Dentro de um estudo internacional sobre IA na educação, constatou-se que a tecnologia pode influenciar positivamente fatores como relações interpessoais e adaptabilidade social, demonstrando que experiências educacionais mediadas por IA têm potencial para fortalecer habilidades socioemocionais quando bem implementadas. Embora ainda haja debates sobre possíveis efeitos negativos em comunicação face-a-face, muitos pesquisadores destacam melhorias em criatividade e resolução de problemas por meio da interação com agentes inteligentes.
Para adultos em educação continuada ou no ensino superior, a IA representa um ganho adicional no desenvolvimento de competências avançadas — como pensamento crítico, resolução de problemas complexos e autonomia no aprendizado. Uma pesquisa com estudantes universitários revelou que 87% já usam IA para tarefas escolares e que 62% consideram importante aprender a usar a tecnologia de forma responsável, reforçando a necessidade de incluir a formação em IA no currículo como uma habilidade essencial para o século XXI. Entretanto, à medida que a IA penetra no ambiente educacional, questões de ética e autoria tornam-se centrais. A IA deve ser vista como uma ferramenta que amplia a capacidade humana, não a substitui — ou seja, o estudante continua responsável por seu processo de aprendizagem e pela criação e interpretação crítica do conteúdo produzido. A coautoria entre humano e IA exige que o professor ou aluno utilize a tecnologia de maneira reflexiva, reconhecendo os limites algorítmicos e a necessidade de supervisão humana para assegurar qualidade e originalidade. Do ponto de vista ético, pesquisadores ressaltam a importância de políticas claras sobre privacidade de dados, transparência e equidade de acesso, especialmente para evitar reproduções de vieses algorítmicos que possam agravar desigualdades educacionais. A adoção de diretrizes que protejam os direitos dos estudantes e garantam que a IA seja utilizada com propósitos pedagógicos legítimos é fundamental para que a tecnologia contribua de forma justa e responsável ao processo educativo. Outro aspecto importante é a formação de professores para integrar a IA de maneira crítica e consciente. Estudos apontam que a resistência docente e a falta de capacitação adequada ainda são desafios, e que investimentos em preparo técnico e ético dos educadores são essenciais para que o potencial transformador da IA seja plenamente realizado. Em resumo, quando utilizada de forma ética, contextualizada e pedagógica, a IA pode ser uma aliada poderosa para desenvolver competências cognitivas e socioemocionais em adolescentes e adultos — sempre com a participação ativa do humano como responsável pelo processo e autor das aprendizagens. Com diretrizes claras, o uso consciente da IA pode resultar em resultados espetaculares, promovendo um aprendizado mais inclusivo, eficiente e significativo para todos os envolvidos.
Arceloni Neusa Volpato é Doutora em Psicolinguística, Doutora Honoris Causa, professora, CEO do ABRV.edu Instituto de Educação e Inovação. Consultora da EST&G Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Conselheira técnica da ABT e Membro do Conselho de Ensino Superior da ABED. Vice-presidente do Rotary Alvorada. Contato com a autora: arceloni@gmail.com
